Wednesday, 22 February 2012

'Fantasma por acaso' - 1946

comédia; 1946; 104 minutos
direção: Moacyr Fenelon
co-produtora: Atlântida
censurado entre 16 e 31.08.1946.

Melhor Filme, Diretor e Atriz (Mary Gonçalves)
pela Associação Brasileira de Cronistas Cinematográficos, RJ, 1946.

Elenco

Oscarito - José Sobrinho Filho [Zézinho] / Daniel Matos
Mary Gonçalves - Sonia Resende [a bandida]
Mario Brasini - Rubens Miranda
Vanda Lacerda - Clarice [a mocinha]

Armando Braga
Eugenia Levy
Luiza Barreto Leite
Armando Ferreira

Renata Fronzi - lanterninha do céu
Mara Rubia - lanterninha do céu
Záquia Jorge - lanterninha do céu
Edméia Coutinho

Luiza Galvão
Alberto Sicardi 
Ênio Santos
Aurea Gally
Brenda Mitchell 

musica: Gaó Gurgel, Ary Barroso, Ernesto Nazaré.
Bidú Reis
Cyro Monteiro
Emilinha Borba
Nelson Gonçalves
Orquestra Gaó Gurgel


Sinópse I

Zézinho [Oscarito] é idoso e solteirão mas assanhado com as mulheres. Trabalha como faxineiro no escritório carioca da Companhia de Aviação Albatroz. Depois de um dia de trabalho no qual levou uma bronca do doutor Rubens [Mario Brasini], seu patrão, por chegar atrasado, ele é atropelado por um automóvel e morre.

Ao chegar ao céu, recepcionado por duas belas moças (as vedettes Renata Fronzi e Mara Rúbia), Zézinho conhece Cândido, pai falecido de Rubens e antigo proprietário da Albatroz. Cândido conta a Zézinho que antecipara a morte dele pois precisava de ajuda para livrar o filho de uma vigarista, Sonia Resende [Mary Gonçalves]. Zézinho então volta à terra no corpo do empresário Daniel Matos, e passa a tentar fazer com que Rubens deixe a amante, ora lhe provocando ciúmes ao sair com a esposa Clarice [Vanda Lacerda], ora tentado desmascarar a vigarista a qual chama de "gold digger" [prospectora de ouro].

'Fantasma por acaso' foi realizado em 1946, dirigido por Moacyr Fenelon para a Companhia Atlântida. Com roteiro e história de José Cajado Filho, o filme marca a estréia no cinema de Renata Fronzi.


Sinópse II


Vítima de um desastre, um servente de escritório de uma empresa de aviação entrega a alma ao Criador. No céu, o espírito do pobre homem encontra com o espírito do pai do seu patrão, há tempos falecido e que, quando em vida, fora muito seu amigo. Isso oferece oportunidade para que o espírito do servente seja designado para voltar à terra afim de tutelar os passos do seu patrão, que se acha envolvido em dificuldades amorosas.

Assim, sob a proteção do pai do jovem, que tudo prevê e provê, o espírito do servente novamente materializado se apresenta como representante de uma grande fábrica de aviões, e, maneirosamente se intromete na vida íntima do seu patrão. Após uma série de coisas, o servente logra cumprir sua missão - faz com que o patrão abandone a amante [Mary Gonçalves] e passe a viver feliz ao lado de sua esposa [Vanda Lacerda] - e volta ao céu

comentário do prof. Máximo Barro sobre a fita


Moacyr Fenelon vinha de dois desastres financeiros: 'Vidas Solidárias' e 'Sob A Luz Do Meu Bairro'. A situação de Fenelon ficou crítica dentro da Atlântida. Ele precisaria de um sucesso para apagar o amargor dos insucessos anteriores. A solução poderia vir com Oscarito, que naquele momento era sensação nacional e a salvação da Atlântida. Fenelon, Paulo Wanderley, Cajado Filho e outros alinhavaram um argumento que estava na moda no cinema americano com 'Heaven can wait': o falecido que não era aceito no céu e vinha penar mais alguns dias na terra.

O personagem interpretado por Oscarito, um velho burocrata, acorda, faz ginástica, ouve as notícias do rádio. Chegando ao prédio onde trabalha, pendura o paletó, gravata, chapéu e transforma-se num simples faxineiro, que lá trabalha, movido pela compaixão que o filho do falecido dono da empresa tinha por ele. Ao sair da firma, é atropelado e morto. Vai para um céu de gozação, com cenografias que lembram um Caligari bem comportado. Lá volta a se encontrar com o antigo chefe e amigo, que lhe pede que volte à terra para ajudar o estróina do filho. Relutante ele o faz, com as complicações já esperadas entre uma alma reencarnada e um grupo familiar aturdido com o insólito.

A estrutura do filme é rigorosamente teatral, mais parecendo um filme em 20 atos. Toda vez que há a necessidade de uma passagem de tempo, indicando as transformações que os personagens estão sofrendo com a interferência do 'espírito', o recurso usado é intervalar as seqüências da mãe. O filme tinha um tom fúnebre, rotineiro, longe da comédia que eles tencionavam realizar. Como na maioria dos films brasileiros da época, obrigatoriamente haviam numeros musicais, que era a forma de obter melhor bilheteria pois muitos iriam ao cinema apenas para ver o cantor, que só conheciam do disco ou rádio.

Os astros e estrêlas do radio eram mostrados como se podia. Oscarito entrava no céu e era recebido por duas vedetes, Renata Fronzi e Mara Rúbia, que o conduziam a um caixão vertical, onde ele via e ouvia a canção 'Trabalha Nego' [Terra seca], de Ary Barroso, magnificamente enterpretada por um Cyro Monteiro jovem e vibrante, além de um número musical elaboradíssimo. 'Lamento de uma raça' [José Piedade, J. Adjucto] interpretado pela incrível Bidú Reis.  

A direção burocrática de Fenelon destruiu a leveza que o tema exigia, transformando-o num melodrama insosso. Oscarito, com poucos momentos de exceção, tem uma interpretação pedante e carente do halo histriônico que lhe era inerente.

Essa foi a única foto que consegui de 'Fantasma por acaso'.
21 December 1952 - as late as 1953 'Fantasma por acaso' was still shown at regular cinemas around the country. At Cine Jussara, in Sao Paulo, they still could enjoy a movie made 7 years earlier. 

Friday, 17 February 2012

Cinema Nacional domina nos anos 40 e 50




Oscarito e Eliana na capa de 'Manchete' em 1954 com o lançamento de 'Nem Sansão, nem Dalila'


reportagem da revistra 'Cine Fan' - Abril 1957

O cinema nacional era uma indústria em pleno funcionamento nos anos 40 e 50. Existia um público analfabeto, que era mais da metade da população brasileira, que só ia ao cinema quando o filme era falado na lingua dele, o português. Portanto havia um público cativo do cinema local. 

Além disso, não havia televisão na maior parte dos lares brasileiros, fazendo com que o público se interessasse em ver na tela seu cantor ou cantora favorito, lotando os cinemas de norte a sul. 

Havia também uma lei federal que mandava que todo cinema tinha um certo número de dias de projeção obrigatória de filmes produzidos no Brasil, fazendo com que produtoras norte-americanas como a MGM, Paramount, United Artists, que tinham redes de cinemas no país, exibissem filmes nacionais que não tinham sido produzidos por eles. 

Esses 3 fatores - milhões de analfabetos que não conseguiam ler legendas; pessoas que não tinham aparelhos de TV e a obrigatoriedade de se exibir películas nacionais - faziam que a industria local estivesse sempre à toda, produzindo dezenas de filmes anualmente.

Mas, eu creio que o motivo principal não fosse nenhum desses três, embora eles fossem importantes. Havia no Brasil uma atitude de que o país era bom e tinha futuro, o que deixou de existir depois do Golpe Militar de 1964, que colocou no poder uma meritocracia-ao-contrário, ou seja, os idiotas e incompetentes foram alçados ao poder máximo, com o exílio da nata dos intelectuais e o supra-sumo de nossa população pensante.

Alguns acham que o chamado Cinema Novo foi o culpado da decadência de nosso cinema, mas isso não tem a mínima fundação científica. Muito pelo contrário. Se não tivesse havido a interrupção do regime democrático no Brasil em 1964, o Cinema Novo poderia se 'intelectualizar' ao máximo, criando assim um novo público mais sofisticado, e o Cinema Popular também poderia continuar abastecendo seu público já cativo, embora ele tivesse que se adaptar para concorrer com a TV. 

Mas com a implantação da Burrice Nacional em 1964, deu-se com os burros n'água e o Cinema Nacional foi tendo uma morte lenta até a eleição de Collor, que jogou a ultima pá de terra em cima dele. Mas mesmo antes de Collor o cinema nacional já estava moribundo.







Wednesday, 15 February 2012

Na Senda do Crime - 1954

Miro Cerni, the leading man in 'Senda do crime' and John Herbert circa 1954 on the corner of Avenida São Luiz & Avenida Ipiranga. 



Sérgio (Miro Cerni) é um rapaz ambicioso. Acostumado ao ambiente rico e luxuoso de alguns parentes próximos, ele não se conforma em ter que lutar honestamente pela fortuna que tanto almeja. O rapaz busca uma oportunidade de se tornar rico rapidamente, pois o salário que recebe no banco em que trabalha é insuficiente para manter o padrão de vida que deseja. O banco é assaltado e Sérgio identifica os ladrões. Porém, ele acaba associando-se aos bandidos, visto que seria uma boa oportunidade para o enriquecimento ilícito. Resolvem então assaltar uma grã-fina, levando o dinheiro e um colar. O chefe do bando fica com a jóia e deposita o dinheiro na conta da namorada (Cleyde Yaconis), irmã de um dos comparsas. Ao mesmo tempo, disputa com um milionário o amor de Jurema, uma vedete, a quem entrega o colar. A partir daí, a polícia tem uma pista para a captura do grupo.





cena clássica, vendo-se a 'skyline' de uma São Paulo punjante e bonita...

Thursday, 9 February 2012

'Quem roubou meu samba?' - 1959

poster de 'Quem roubou meu samba?'
Ankito (Leovigildo)
Maria Vidal (Aurora - record-label-executive)
Nancy Wanderley (Yolanda)

Catalano (Tancredo) - another record-label-executive)
Aurélio Teixeira (Secundino)
Darcy Cória (Gilda)
Chuvisco (Atanásio Cruz)
Pituca (Terrinha)

Marlene se esbalda e vira poster do filme, interpretando 'Chaminé de barracão' de Monsueto Menezes e José Baptista.

Wilson Grey (paciente)
Chuvisco (Anastácio Cruz)
Francisco Dantas (dr. Ranulfo)
Carlos Mello (motorista de taxi)
Paulo Copacabana (Bléquinho)
Zé Bacurau (compositor)

Ankito & Nancy Wanderly play a romantic couple of sorts...

Martim Francisco (Libório)
Agnaldo Rocha (capanga)
Armando Ferreira (português do botequim)
Chiquinho (botequineiro)
Zildemar (secretário do dr. Ranulfo)
Maria Lúcia (secretária da gravadora)

pandemônio total no final de 'Quem roubou meu samba?'

Sônia Lancellotti (enfermeira)
Evelyn (enfermeira-de-plantão)
Washington (capanga)
Perácio (capanga)
Vavá (compositor)
Yamira Rios

Atanásio (Chuvisco), a samba-song-writer living at Morro da Navalhada sells a samba he wrote to various different people, a practice that was common with poor song-writers in the 30s, 40s & 50s. Leovigildo (Ankito), a detective for A-Eterna-Vigilância is one of the buyers. Tancredo (Catalano) who owns Gravapan, a record-label and Aurora (Maria Vidal), representing her own Aurora Records also buy Atanásio's samba intending it as a number to Gilda, one of her contract singers.

Tancredo whose methods are those of a gangster bids his henchman Secundino (Aurelio Teixeira) to rough Atanásio up and bring him to Gravapan to finalise the details but as a result of Secundino's thrashing Atanásio loses his memory and forgets the samba completely. Leovigildo who had recorded the samba in a tape-recorder has his tape destroyed by Secundino's course treatment.

The detective gets into all sorts of comic situations trying to remember the erased song and proceeds to record it. Secundino kidnaps Atanásio from the Hospital-dos-Prontos in which Yolanda (Nancy Wanderley), Leovigildo's sweetheart is a nurse. Leovigildo follows the gangsters up to their hide-out and helped out by Atanásio's patient-friends led by Blequinho - free the poor fellow from the hoodlums' claws.

As Atanásio is freed he recovers his memories when he listens to a taxi driver whistling part of his samba. Back at the Hospital, Atanásio sings the whole samba - 'Não tem castigo' - to Aurora, patients & medical staff and everyone joins in the celebration. 

Ankito ajuda a cantar o samba 'roubado'... a letra segue adiante:

Não tem castigo 

Chama a turma p'ro terreiro
que o samba começou
cabrocha sacóde as cadeiras
cuica no morro voltou

Até raiar a madrugada
o samba no morro não vai parar
no calor da batucada ninguem pensa em mais nada
é só sambar, só sambar, só sambar

Eu sou do arroz, do tutú
sou do quiabo e angú
vem sambar, vem cá, vem ver gingar
até marcar e se acabar

Eu sou do samba legal
e também sou do batuque infernal
se a cuíca roncar é só me chamar
que eu vou p'ra lá p'ra requebrar, p'ra me acabar.

Atanásio sings his samba to Aurora who intends to have Gilda record it for next Carnaval.
Knowing Atanasio's samba may be a big hit, Gravapan's Tancredo tries to get it for his label...
Secundino (Aurelio Teixeira) kidnaps the song-writer to make him turn the samba over to them.
As the result of Secundino's rough treatment Atanasio loses his memory and completely forgets his samba.
Jorge Veiga em seu elemento natural: o samba; em 'Eu vim morar no Rio', de Hianto de Almeida e Francisco Anysio.
Jorge Veiga no meio de metais em brasa!
Jorge Veiga mostra que é o dono do pedaço!
Até Sapoti - Ângela Maria - caiu no samba... cantando 'Poesia das favelas' de Janine Perez e Ramos.

  Virginia Lane adiciona um pouco de burlesco com 'Maçã da tentação', de Nelson Castro e José Baptista.
'Maçã da tentação'
Marisa dá o ar de sua graça clássica...
Marisa sings 'Onde estará meu amor?' written by Lina Pesce.

Marion pays tribute do Carmen Miranda (as she was known to do) singing 'Não vou perdoar' (Almeidinha).

Trio Irakitan with a little help from Maria Vidal at percurssion & Darcy Cória at the guitar sing 'Eu vim morar no Rio' (Hianto Almeida).

Germano Mathias sings 'Figurão' written by himself; Ankito is in the music business working for the Aurora label. Germano Mathias faz sua estreia no cinema em 1959, na comédia Quem Roubou Meu Samba? de José Carlos Burle,  que trata do polêmico tema dos direitos autorais. O filme é baseado numa peça do dramaturgo Silveira Sampaio. O cantor aparece em uma cena ao lado de Ankito e canta a canção 'Figurão', faixa do disco 'Em continência do samba'.
Venilton Santos sings 'Você foi porque quis' (Armando Cavalcanti).
a lot of physical exertion in 'Quem roubou meu samba'.
if the plot is not good enough just start fighting and that will do...
a lot of histrionics too...
Aurelio Teixeira personified the 'bad man' in the 1950s.
Yolanda (Nancy Wanderley) unties Atanásio (Chuvisco).
Gilda & Terrinha plus Yolanda & Leovigildo, the romantic pairs are not exactly those dreamed in Hollywood. 
disfunctional romantic pair.
Gilda (Darcy Cória) & Terrinha (Pituca)

happy ending for Ankito & Nancy Wanderley.
all is well in the end... gangsters, patients, musicians, medical staff, hero, anti-hero etc.