Sunday, 29 July 2012

Na corda bamba - 1957

Zé Trindade & Arrelia (Waldemar Seyssel).
Na Corda Bamba; Distribuição: Unida Filmes e Cinedistri; 
Direção: Eurides Ramos; Assistente de direção: Roberto Duval;  
Argumento: Arnaldo Morgantini;  Roteiro: Alinor Azevedo e Eurides Ramos;  
Produção: Osvaldo Massaini;
co-produção da Cinelândia Filmes e Cinedistri;
música: Radamés Gnattali
direção de números musicais: Hélio Barrozo Netto
estréia no Cine Metro.


Arrelia, Iris Delmar e Zé Trindade.
Arrelia faz o papel de um afinador-de-piano, que aqui aproveita e faz um showzinho particular dentro de uma estação de TV. Na cena anterior, quem estava sentado ao piano, ensaiando os bailarinos era o maestro Enrico Simonetti, que em 1957 estava envolvido em todo tipo de atividade cultural musical no Brasil. 

Arrelia [Arreliá Pacífico de Oliveira Sossegado]
Zé Trindade [Zé Trindade]
Ema D'Ávila [Baronesa Zaira]
Roberto Duval [cigano Botazzo]
Íris Delmar [Clara]
Wilson Grey [Inácio]
Teresinha Amayo [Terezinha]
Moacyr Deriquén [Walter]
Solange França [Carolina]
Benito Rodrigues [caixa do cassino]
Marilene Silva [Sofia]
Rodolfo Arena [malandro]
Grijó Sobrinho [policial]
Lélia Verbena [2a. empregada da baronesa]
Ferreira Leite [padre Mateus]
João Péricles [carcereiro]
Elizeth Cardoso
Monsueto Menezes
Walter D'Avila e suas Melindrosas.
Ema D'Avila como a rainha-cigana da Rutilandia, cujo amuleto desaparecera - Arrelia & Zé Trindade.
a dupla de bandidos: cigano Botazo & comparsa.
o colar da rainha da Rutilândia está escondido dentro do litro de leite.
Elizeth Cardoso & Monsueto Menezes em elaborado numero musical.
Elizeth Cardoso na Hollywood brasileira...
show sensacional na boite 'Bemtevi'.
de-repente o samba se transforma em rock'n'roll...

Sunday, 8 July 2012

'Pensão da Dona Stela' 1956




cartaz de 'A Pensão da dona Stela', filmado pela Maristela em 1956, tendo Randal Juliano como galã e Liana Duval como a 'gostosa'.



Maria Vidal é a dona Stela... viúva.


A história mostra as trapaças de Nhonhô [Jayme Costa] e dona Stela [Maria Vidal], numa pensão, à beira da falência, onde desfilam os mais diferentes personagens: uma mulher solitária que escreve cartas para si mesma, um vigarista monarquista que acaba aderindo ao republicanismo [Adoniran Barbosa], um conjunto musical [Os Modernistas], um médico desempregado [Randal Juliano], um jogador de futebol e duas cantoras de rádio; a primeira, filha da dona [Liana Duval] se torna 'Rainha do Samba' e a segunda, a faxineira da pensão torna-se 'Rainha dos Auditórios' - além de sonhar em ser Alda Perdigão, que aparece cantando 'Os pobres de Paris'. No final a pensão consegue sobreviver com os 200 mil cruzeiros ganhos pela faxineira, que se torna sócia da pensão.


Jayme Costa é o Nhonhô, mistura de vigarista e ocioso... aí com Zazá [Lola Brah], que tb. estava procurando 'vida fácil'.


Randal Juliano e Liana Duval é o par romântico. Ele médico desempregado e ela cantora do radio frustrada.


a faxineira que se torna cantora e vence o concurso 'Rainha dos Auditórios'... aqui canta 'Piu piu'.


Zuza, o filho de dona Stela consegue jogar na Seleção e marcar gol contra a Argentina.


Quase tudo arrumado no final: Nonhô casa-se [secretamente] com d. Stella... o médico desempregado [Randal Juliano] fica com a filha de dona Stela; Siqueira, o monarquista vira republicano e casa-se com sua irmã-de-araque Zazá... a mulher que escrevia cartas para si própria fica com o carteiro... e a faxineira se torna cantora de rádio.


a filha de dona Stella [Liana Duval]... o radio não funciona no dia do jogo do Brasil com a participação do Zuza.

A Pensão de Dona Estela - 1956

Jayme Costa  [Nhonhô]
Maria Vidal  [dona Stela]
Liana Duval [filha da dona Stela]
Lola Brah  [Zazá, vigarista]
Adoniran Barbosa  [Siqueira, vigarista monarquista]
Randal Juliano  [médico desempregado]
Carlos Araújo
Ayres Campos  [massagista]
Márcia Vasconcelos
Os Modernistas [acompanham Liana Duval e a faxineira]



Carmélia Alves  [canta um baião na boite]
Jimmy Lester
Alda Perdigão [canta 'Pobres de Paris']
Jane Batista
Walter Ribeiro dos Santos
Ricardo Bandeira
Eva Bosch
Osmano Cardoso
Zulma Maria
Jambura e Sua Escola de Samba


estréia:  12 Fevereiro 1956.
95 min.
distribuição: Columbia Pictures do Brasil
direção: Alfredo Palácios e Ferenc Fekete
roteiro: Alfredo Palácios
produção: Cinebrás Filmes, Andras Kalman, Alfredo Palácios e Cinematográfica Maristela
música: Vicente de Lima
Iluminação: Ferenc Fekete
fotografia: Ferenc Fekete
desenho de produção: Carlos Giacheri
edição: João de Alencar e José Cañizares



Friday, 6 July 2012

HELOISA HELENA

Heloisa Helena maravilhosa.

* 28 de outubro de 1917 no Rio de Janeiro-DF; + 19 junho 1999.


Heloísa Helena de Almeida Lima era filha de Octavio de Almeida Lima, advogado e alto funcionário da prefeitura do Rio de Janeiro-DF.  Na infância estudou com uma governanta o idioma inglês. Logo, começou a cantar e tocar violão.

Cesar Ladeira, o maior radialista do Brasil, ouviu Heloisa cantar na Rádio Roquete Pinto, e imediatamente a levou para a Radio Mayrink Veiga, a mais popular do Distrito Federal, onde passou a cantar músicas em inglês.

Em 1936, aparece no histórico"Alô, alô, carnaval!" com "Tempo bom", parceria dela própria com João de Barro e interpretada pelo grupo Os Bêbados.

Estreou em discos pela Victor em 1937, gravando "Samba da vida", de Valfrido Silva, acompanhada dos Diabos do Céu de Pixinguinha e o samba-fox "Numa roda de samba", de sua autoria. Ambas canções aparecem no filme "Samba da vida" da Cinédia dirigido por Jayme Costa.

Em 1940, gravou as marchas "Sarong", de Osvaldo Santiago e Jorge Murad e "Marinheiro", de Alvarenga & Ranchinho com acompanhamento da Orquestra Odeon.

Cantou nos cassinos Copacabana, da Urca, e Atlântico. No início da década de 1940, foi para os Estados Unidos em um intercâmbio cultural da Embaixada norte-americana. Ficou vários anos em New Orleans, o que acabou por interferir em sua carreira discográfica.

Voltando ao Brasil em 1951, é convidada por Chianca de Garcia a ingressar na recém-inaugurada TV Tupi do Rio, participando de 'Um bonde chamado desejo''A Rosa Tatuada' e outros tele-teatros. Foi também apresentadora de "Sessão das Cinco", programa de variedades.

Em 1955, participou do filme "Chico Viola não morreu" uma biografia romanceada do cantor Francisco Alves dirigida pelo argentino Roman Viñoly Barreto.

Eva Todor, Heloisa Helena & Sonia Oiticica. 

Revistas Carioca de 30 Novembro 1950.
Heloísa Helena e o teatrólogo Paulo de Magalhães, seu marido.
Heloísa Helena, Paulo de Magalhães e Vicente Celestino.
Gilda de Abreu, Heloisa Helena e Paulo de Magalhães.

A nota sensacional do mês de Novembro de 1950 foi o desligamento de Heloisa Helena da Companhia Jayme Costa. A separação, como os jornais noticiaram deu-e em Salvador-BA envolvendo também a figura popular de Paulo de Magalhães, marido de Heloisa, que é o 'autor mais representado no Brasil'.

No saguão do Teatro Recreio, quando se preparavam para assistir à sessão das 22 horas, Paulo confirmou: 'Foi aquilo que Raimundo Magalhães  noticiou em 'A Noite'. Heloísa não estava presa por contrato. Ela está esperando um 'baby', e em Salvador sua saúde ficou abalada devido aos meses que estão avançando. Eu disse ao Jayme que minha mulher teria de interromper a 'tournée' e voltar ao Rio. Ele não compreendeu. Discutiu. Gritou. Veio, então, um rompimento nada amigável. Se o Jayme tivesse mais senso, mais compreensão, teríamos evitado isso."

Um dos resultados dessa briga, foi a proibição a Jayme Costa, intérprete de tantas criações de sucesso, de representar as peças de Paulo Magalhães. Perde com isso o teatro nacional, não há duvida. Bastidores aguarda que a concórdia volte a reinar entre todos.

Paulo e Heloísa estão satisfeitíssimos com o breve nascimento de mais um herdeiro. Se for homem será batizado com o nome de Clovis Paulo de Magalhães, em homenagem ao pai de Paulo de Magalhães. Se for menina... 'Bem, nós não esperamos menina', disse Heloísa.

texto e fotos de Ney Machado.
revista Carioca de 30 Novembro 1950.


revista Carioca 7 Setembro 1950 - completou 9 anos no dia 23 Agosto 1950 a encantadora e talentosa Nadja Naira Gloria, filha do festejado escritor Paulo de Magalhães e da aplaudida 'estrêla' Heloisa Helena.
revista Radiolândia de 3 Setembro 1955.

HELOÍSA HELENA QUIROMANTE E CARTOMANTE

 
Como todos sabem, tenho duas filhas; uma com 13 e outra com 4 anos. A mais velha não quer saber de nada que se relacione com arte. Já a mais novas, Laila, parece que herdou meu gênio e o dinamismo do pai. Sempre que aparece uma oportunidade de tirar um retrato, ela não perde a oportunidade de sair nas fotografias.

Quando foram iniciadas as filmagens do filme 'Chico Viola não morreu', soube que havia um papel destinado a uma criança. A mesma pessoa que me falou sobre a existência desse papel perguntou-me: 'Por que você não leva a Laila para fazer um teste?'

Fui falar com Vignolli, o diretor principal do filme, o qual aprovou inteiramente a minha opinião, ficando acertado que Laila tomaria parte do filme. O que eu não sabia, e que o Vignolli não teve coragem de me dizer, era que ele estava procurando, tb., uma artista para fazer o papel de cigana no filme. Como fôsse um papel muito pequeno, não teve coragem de me convidar, pensando talvez que não me intessasse. Carlos Manga, entretanto, não pensou assim e convidou-me para interpretar o papel, tendo eu aceito incontinenti.

Eu nasci sob o signo de Scorpio e todo escorpiniano tem curiosidade sobre as coisas do além. Gostam de mistérios, adoram a cartomancia e quiromancia. Desde criança somos dotados de uma, como direi, de uma certa intuição. Esse o motivo pelo qual aceitei o papel, que, embora muito pequeno, estava perfeitamente identificado com a minha personalidade.

O papel da cigana feito por mim, representa, naturalmente, o destino do grande cantor que foi Chico Alves. Tive que interpretar fielmente uma verdadeira cigana dotada da faculdade de prever o futuro.

E você sabe mesmo ler mãos? Dessa eu não sabia.

Pois fique sabendo. E fique sabendo mais ainda. Também sei ler a sorte através das cartas de um baralho.

E o que dizem as linhas da mão, Heloísa?

A mão humana é dotada de 5 linhas principais, que são: a linha da vida, a do coração, a da sorte, a da cabeça e a da arte. Há outras de menor importancia, como, por exemplo, o monte de Vênus. Assim é que quando a linha da cabeça é forte, com sulco profundo, revela que a pessoa é intransigente, teimosa, obstinada. Já a do coraação, quando se apresenta encadeada e cheia de pontinhos escuros, é sinal de que a pessoa tem vida amorosa muito intensa ou, então, sofre de moléstia de origem cardíaca. A linha da sorte poder ser curta ou cortada pelas do coração e da cabeça. Quando é perfeitamente reta, indica vida estável da pessoa. Quanto à linha da vida, quando quase invísível ou interrompida, revela que seu possuidor é fraco, sem personalidade ou, então, doente. Devo, entretando, frizar que o que disse a você não é precisamente um estudo sobre as linhas das mãos. É apenas um resumo geral para dar uma idéia da quiromancia. Somente estudando a mão é que se pode afirmar com segurança o que dizem as linhas.

E a linha da arte, Heloísa, o que revela?

Quando a linha da arte é profunda e cheia de cortes, a vida artística da pesso vai sofrer, ou já sofreu, inúmeras interrupções. Esta linha pode ser influenciada, tb., pela linha do coração, o que aconteceu comigo. Como você deve saber, fui obrigada a abandonar o teatro em 1950, quando estava esperando minha filha Laila, pois o teatro deve ser encarado com toda a dedicação e é imcompatível com a vida do lar. Assim, não titubeei, e nem encarei mesmo o fato como um dilema. Abandonei o teatro e passei a dedicar-me inteiramente ao meu mister de mãe. E hoje mesmo, embora trabalhe na Radio e TV Tupi, vivo mais para o meu lar, minhas filhas e meu espôso, do quer propriamete para minha carreira.

E sobre sua vida familiar, Heloisa, como você a encara?

Ótimamente. Vivo imensamente feliz com meu espôso que me orienta e me estimula. Jamais impediu ou tentou impedir que eu me dedicasse à vida artística, pois sendo jornalista, teatrólogo, escritor e homem de radio, Paulo Magalhães, compreende perfeitamente a minha inclinação e só dá opinião para me orientar na carreira.

texto de Paulo Siqueira fotos: Wilson Lopes.

text on the right (and below) was published at 'Correio da Manhã' on 13 March 1960.
'Correio da Manhã' 13 March 1960. 

Heloisa Helena participa do programa 'What's my line?' em 16 Dezembro 1956, na TV norte-americana. 
reportagem da revista 'A Cena Muda' de 29 Abril 1941.
Heloisa visita a redação de 'A Cena Muda', que havia mudado de 'A Scena Muda', recentemente devido a revisão ortográfica.
Heloisa Helena fotografada por Wilenski, em Buenos Aires, quando de sua recente visita à Argentina em viagem de núpcias, após seu casamento com Paulo Magalhães.
Carta endereçada à Heloisa Helena pelo fã Carmelino Calaia, procedente dos Correios de Angola, Africa Portuguêsa. A fama de Heloisa atravessa o Oceano Atlântico e liga dois povos.
Heloisa Helena na revista Carioca de 17 Novembro 1945.

Heloísa Helena e sua inconfundível assinatura-garrancho... 1939.
Suzy Kirby & Heloisa Helena.
'Correio da Manhã' 10 December 1960.